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sábado, 27 de março de 2010

Saudade

Gênio. Como poucos.

"Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração, não aprendi a me render, que caia o inimigo então"

"Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?"

"Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei."

"Senti seu coração perfeito batendo à toa e isso dói seja como for... pode rir agora que estou sozinho."

"Bondade sua me explicar com tanta determinação, exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim"

"Vamos fazer nosso dever de casa e aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis, f
azer comédia no cinema com as suas leis"

"Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim"

"Gostaria de não saber destes crimes atrozes. É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe mas hoje não dá. Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor a falta que ficou"

"é tão estranho, os bons morrem antes, me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais..."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Saboreando tempo

Tinha ontem dormências no peito que hoje são mera lembrança. Vaga e imprecisa. Eram realidades então duríssimas que nutriam a superficialidade dos meus dias. Meus prazeres pareciam pecados enquanto meus pesares sobravam desobedientes. Ia vivendo em lágrima, garra e uma flor nas mãos frias fitando aquele semblante de realidade. Secretamente eu passava meus dias com as linhas de Lyas, Hildas, Clarices, Cecílias, Fridas, Florbelas, Sylvias e lendo o que elas escreviam, descobri na solidão as belezas e compensações que a dor traz consigo. Hoje, relendo meus escritos de anos atrás, percebo que (finalmente) encontrei serventia nos amores perdidos, na crueldade dos abandonos e nas cicatrizes sob o peito: percebi que quanto mais se vive, mais tramas e heras se apoderam da gente, tornando-nos mais fortes e sábias. Por isso mesmo é muito perigoso olhar de novo pra alguém que ficou pra trás: você (como eu) quererá encarar os grandes monstros que te aterrorizaram. Qual não será a surpresa ao descobrir que o que te fazia tremer era sua própria invenção!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Monotemática

Imagem daqui


Fiquei no chuveiro deixando a água cair como numa tentativa vã de reverberar, expurgando não-sei-bem-o-quê. Talvez tristeza, coisa que por si só, nem faz sentido. Talvez a causa da minha tristeza. Mas como expurgar-me de mim mesma? Queria catarse de qualquer tipo, de qualquer forma, vinda de qualquer lugar. Paliativos que fossem, mas já me serviriam... Abandonei-me ali, e segui pra paragens distantes sem mim. Fiquei por longo tempo assim: imóvel, molhada, com olhos vagos enfiados em idéias, em imagens e elucubração, como procurando o caminho da felicidade que acabara de deixar. Sem que percebesse, a angústia compactada no meu coração irrompeu e eu chorei, chorei até soluçar, até que meus olhos ficassem vermelhos, e senti o gosto de chorar na boca. Minutos depois percebo que mesmo a delícia aguda de amar alguém pode te cercar de precipícios e pior: pode te deixar o gosto falso de que aquele arremedo de amor é irreproduzível. E a sensação não passa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cecília Meireles

Thousand Images

Quinto Motivo da Rosa
Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,
não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado: - o prazo
do Criador na criatura...
Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.
Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.
(Cecília Meireles)