
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
- Sim.”
(Clarisse Lispector)
Essa sensação que não consigo definir está despindo meu desejo às avessas, desfazendo os entendimentos sem citar as fontes pra me desmascarar: exigente, imperdoável, implacável na arte de querer mais e melhor. Como se tivesse a pretensão de ser perfeita. Como se os vãos na alma não me fizessem chorar, como se minhas próprias máscaras não estivessem realmente gastas, como se minhas sutilezas fossem menos vis que as demais. Descubro-me num beco sem saída. Já não sei dizer se sou franca ou cruel. Não sei se minhas palavras elevam os destroem. Nem se minhas pretensões conscientes são realmente demonstradas quando a verbalização é o meio que encontro pra dizer a que vim. Aquilo que eu desejo é justamente o que se desprende de mim sempre que me abro. E não sei responder, se me perguntarem, porque a franqueza me apetece a ponto de não ter limites pra ferir. O pior é que talvez isso seja somente egoísmo. Porque afinal, não posso ferir ninguém sem me sangrar. Talvez seja isso: ou salvo você ou me perco de mim.
























